A taxa de desemprego aumentou em todas as 27 Unidades da Federação na passagem do quarto trimestre de 2025 para o primeiro trimestre de 2026, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística por meio da pesquisa PNAD Contínua.
O levantamento mostrou que a média nacional subiu de 5,1% para 6,1%, indicando um avanço da desocupação em todo o país após meses de estabilidade no mercado de trabalho.
De acordo com o instituto, parte dessa variação ainda está dentro da margem de erro da pesquisa, mas o crescimento foi considerado estatisticamente significativo em 15 estados brasileiros. Entre eles aparecem Maranhão, São Paulo, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Goiás, Pará, Santa Catarina e Espírito Santo.
O estado de São Paulo, que possui a maior população ocupada do Brasil, registrou uma das mudanças mais relevantes no período. A taxa de desemprego paulista passou de 4,7% para 6,0%, acompanhando a tendência nacional de desaceleração nas contratações e aumento da procura por vagas.
Os números mais altos de desocupação foram registrados no Amapá, com 10,0%. Em seguida aparecem Alagoas, Bahia e Pernambuco, todos com 9,2%, além do Piauí, que fechou o trimestre com 8,9%. Já os menores índices ficaram concentrados na região Sul e Centro-Oeste.
Santa Catarina apresentou taxa de apenas 2,7%, enquanto Mato Grosso também apareceu entre os estados com melhor desempenho no mercado de trabalho.
Economistas apontam que fatores como juros elevados, inflação persistente e redução do consumo das famílias influenciaram diretamente o aumento da desocupação no início do ano. Mesmo com parte do mercado formal ainda apresentando resistência, setores ligados ao comércio e serviços começaram a sentir os efeitos da desaceleração econômica.
O resultado também marca o primeiro aumento generalizado do desemprego no Brasil desde o segundo semestre de 2024. Analistas avaliam que os próximos meses serão decisivos para entender se o movimento será temporário ou se poderá continuar ao longo do ano.
A expectativa do mercado financeiro e de especialistas agora está voltada para as próximas decisões do Banco Central e para o ritmo de geração de empregos nos setores produtivos.
Caso haja melhora na atividade econômica e redução das pressões inflacionárias, o cenário pode voltar a apresentar recuperação gradual nas contratações.